Sandra Portella Montardo

conteúdo gerado pelo consumidor. reputação on-line. inclusão digital. pesquisa em comunicação. consciência da imperfeição. iniciativas de aperfeiçoamento.

29 de junho de 2009

Fisl 10 – impressões

Filed under: geral — Sandra Montardo @ 9:42

Pete Sunde (The Pirate Bay) e Lula

Pete Sunde (The Pirate Bay) e Lula

Em função de fim de semestre, monografias para ler, trabalhos para corrigir, artigo para escrever, não pude estar presente em todo o Fisl 10 (24 a 27/06). Abaixo, um resumo do que eu vi e do que eu gostaria de ter visto:

# 24/06 (quarta-feira): Seria bom ter visto o lançamento do livro Software Livre, cultura hacker e ecossistema da colaboração. O livro, que pode ser adquirido impresso e que poderá ser baixado,  é composto de 4 partes, que versam sobre os temas indicados no título. Mobilização colaborativa, Cultura Hacker e a Teoria da Propriedade Imaterial, artigo que resume a tese de doutorado em Ciência Política da USP de Sérgio Amadeu da Silveira,  será disponizado em um ambiente interativo que estimula a continuidade da pesquisa e a troca de insights. Esse livro vai ser bastante útil na minha disciplina de Ambientes Digitais para Inclusão, no Mestrado em Inclusão Social e Acessibilidade da Feevale. Mais sobre o livro aqui. Download do livro aqui.

Neste dia esteve presente também o José Henrique Portugal, assessor do Deputado Azeredo, falando sobre Projeto de Lei de Cibercrimes. Queria ver a profundidade, ou falta de, nos argumentos da Lei Azeredo.

#25/06 (quinta-feira): Adoraria ter visto Copyright X Community, com Richard Stalmann. Stalmann foi fundador do Movimento Software Livre, é responsável pelo conceito de copyleft e é uma lenda viva da cultura geek, acumulando histórias bastante excêntricas.

Eu e a Paula ainda conseguimos acompanhar o debate com Pete Sunde (The Pirate Bay) no Ocidente. Eu nem conhecia este espaço para debates e apresentações ao lado do bar. Depois, foi o show da Vera Loca no mesmo local. Pois é, meio decepcionante. Mas tava bem divertida  a primeira inserção na cena do Fisl.

#26/06: Neste dia eu fui. Consegui e adorei ter visto o Painel com o Comitê de Implementação de Softwae Livre do Governo Federal. Marcos Mazoni, presidente do Serpro, que conheci na Campus Party, esteve presente e, com os demias, apresentou vários números e ações referentes ao tema.  O mais impressionante é que o governo já economizou R$ 370 milhões com o uso do SL. Quanto  isso, uma notícia boa é que o Senac vai oferecer cursos sobre o SL para disseminar seu uso em todas as escolas do Brasil.

O grande momento do dia foi a visita do Lula ao Fisl. Parece que ela já havia sido convidado em outros anos, mas nunca tinha vindo. O cenário foi de tumulto e parte dos estandes estavam fechados em função dos protocolos de segurança que envolvem receber um chefe de estado.  A foto acima, de Mariel Sasso (Blog Trezentos), foi parar na capa do Estadão e resume o momento.  Já que Lula pareceu favorável à cultura livre da internet, creio que seja um indicativo de que a lei do Azeredo não passe, uma vez que o Presidente tem poder de veto sobre ela.

Depois de reunião fechada com alguns poucos organizadores, houve uma coletiva de imprensa apenas para organizadores e, obvimente, a imprensa. Daí saíram frases antológicas como as que foram parar em todos os veículos: Lula é Nerd, porque venceu um sistema não favorável a ele, inclusão digital é sexy, e por aí vai.

O assunto do #chopptwitterpoa no Zelig não foi outro. Estava muito bom.

#27/06 (sábado): Cheguei para ver o Stalmman, ainda que pela manhã havia tido uma palestra sobre tecnologias assistivas acessíveis com SL, de . Essa eu vou conferir pelo cd do evento.  Sábado foi o dia para visitar os estandes e  botar o papo em dia com o Pase e com a MC.

No estande do Comitê Gestor na Internet, ganhei um volume impresso com a Pesquisa sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação no Brasil 2008, além de um cd com todas as pesquisas que são feitas desde 2005.

Para resumir, o evento lembra bastante a Campus Party, que conheci neste ano. Porém, não tem tanta criança nem adolescente. Tem mais desenvolvedores, empresários de TI e muitos, muitos estudantes. O problema foi a wireless não funcionar (isso é mt chato). O evento uniu mais de 8 mil pessoas. Confira os números da Fisl 10 por aqui. Ano que vem tem mais.

22 de junho de 2009

“Pop é pop”, cauda longa da P2P e Fisl 10.0

Filed under: geral — Sandra Montardo @ 11:55

Fisl 10.0

Essa é a conclusão do estudo The long tail of P2P, publicado pela Wired em maio deste ano. O relatório foi elaborado por Will Page (PRS for music) e por Eric Garland (BigChampagne, empresa de métricas para mídia on-line).

Trata-se de uma contraposição  alguns pontos da Teoria da Cauda Longa, de Chris Anderson, no que se refere ao que os autores entenderam como paradoxo da escolha, quanto ao mercado de música on-line. Ao contrário do que vislumbrara Anderson, ter mais opções de escolha, dispor de mais formas para fazer essas escolhas não necessariamente se converte em, efetivamente, novas escolhas. Alguns findings:

- custos de suprimentos de música e de vendas por música fragmentadas são altos;

- popular é popular: na web, tanto no mercado de música legal quanto no de  música “ilegal”, como eles chamam sites que facilitam os downloads, o que é mais baixado coincide com o que é mais vendido no mainstream. Nesse caso, como hits pagos podem concorrer com os hits gratuitos?, devem ter se perguntado os autores.

 Descontando-se o aspecto autopromocional e o viés de reserva de mercado do relatório com relação a PRS for music, metodologicamente o estudo parece consistente. E seus resultados assustam:

Por que essa conclusão é assustadora?

 Perceber que a fragmentação do público de massa em nichos por si só é inviável comercialmente  para a indústria fonográfica  resulta no acirramento do lobby contra todas as outras formas de compartilhamento de música (e de filmes, e de games, etc). Com a web, o que hoje for intermediação tende a não fazer mais sentido, o que é ótimo para a maioria, mas não para quem interessa a tal da reserva de mercado.

Intermediários, devido principalmente à web, não desempenham mais o mesmo papel que no mercado de massa, principalmente com relação à música. Mesmo por quem não tem na web um recurso promocional importante, como mostrou o estudo sobre o Tecnobrega, apresentado na Campus Party deste ano por Oona Castro e Ronaldo Lemos. As cifras despencam, os nichos são inviáveis comercialmente, e os hits estão disponíveis gratuitamente.    

Evidências

Não é à toa que aquela americana foi condenada a pagar uma dívida de quase dois milhões de dólares por campartilhamento de 24 músicas, que o consórcio de gravadoras  processou o The Pirate Bay, e que leis de restrição à liberdade na internet têm sido aventadas e aprovadas em alguns países.

Fisl 10.0

Essas e outras questões serão debatidas pela extensa e rica programação do Fisl 10.0, que acontece na PUCRS, nesta semana. Participarei pela primeira vez do evento e estou muito curiosa com tudo: formato, questões e encaminhamento da mesmas.

5 de junho de 2009

Compós 2009

Filed under: geral — Tags: — Sandra Montardo @ 23:02

Há poucas horas, cheguei de Belo Horizonte, onde participei d 18o. Encontro Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação, na PUC-Minas.  Abaixo, algumas impressões:

# Abertura: Além do credenciamento, solenidades como esta servem para confraterização inicial, ou seja, para as pessoas de todos os GTS se encontrarem. Contou com a palestra do francês Gilles Lipovetsky sobre Hiperconsumo. De acordo com a programação, as sessões de autógrafos, entre as quais a do livro Redes Sociais na Internet, da Raquel, aconteceriam no local do coquetel. Por causa de um mal-entendido entre a Editora e a organização, isso não acabou acontecendo, o que não impediu que todos os livros levados pela Editora ao evento fossem vendidos.

# GT Comunicação e Cibercultura: Gostei de todos os trabalhos, ainda que nem todos me interessassem com a mesma intensidade devido às pesquisas que desenvolvo. Apresentei Redes Temáticas na Web e Biossocialidade on-line na mesa Redes Sociais e Biossocialidade on-line, ao lado da Raquel Recuero e da Gabriela Zago, trabalho que relatei (e gostei muito). O GT sempre teve sala cheia, o que demonstra o interesse pela e a pertinência da temática. Todos os textos do artigos e dos relatos estão disponíveis aqui. Só o que atrapalhou foi uma rede wi-fi muuuito instável.

# Festa: A festa lado B, organizada pelo Vinícius, começou no restaurante 2009 (que no ano passado se chamava 2008) e continuou na Usina do Cinema. Neste lugar, para chegar à pista, tínhamos que passar por um cinema que, por sua vez, ficava passando imagens interessantes. Da pista, dava para ver essas imagens. Os DJ`s, tirando alguns poucos lapsos, mandaram muito bem.  As opções foram bastantes originais e estava muito divertido.

# BH: Não deu tempo para aproveitar tudo de bom que esta cidade tem a oferecer. Fiquei sabendo que BH é um pólo de design e moda, algo que eu desconhecia totalmente. Fica para a próxima.

Mais uma vez, foi muito legal reencontrar amigos, colegas de pesquisa e ex-professores. Como eu e a  Adri comentamos,  a Paula e a MC fizeram falta.  Eu sempre saio da Compós cheia de ideias e de sugestões para novas abordagens de pesquisa (empírica ou teórica). Nesse ano, a Compós ainda me trouxe  novas perspectivas de atuação para o evento do ano que vem (PUC- Rio).  Além, é claro, de muita “perucagem” e de muita história para contar. Em todos os sentidos gostei mais dessa edição do que a do ano passado.

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